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MOBILIDADE SOCIAL
Um novo estudo da OCDE – “Intergenerationl Social Mobility: a family affair?” revela que a mobilidade social em Portugal em termos educacionais e salariais é das mais fracas entre os países-membros desta organização.
O estudo indica que o passado educacional e sócio-económico familiar desempenha um papel relevante no nível educacional e salarial dos indíviduos. Nos países do Sul da Europa e no Reino Unido, a educação dos pais, ou a falta dela, tem um impacto particularmente forte nas potencialidades futuras de uma criança. Isto é, nestes países, os salários dos filhos com pais que frequentaram o ensino superior é 20 vezes mais elevado do que os dos filhos cujos pais apenas completaram o ensino secundário. Pais com educação superior tendem a ter filhos também com educação superior e que acabam por ter maior facilidade em obter empregos mais bem pagos.
Factores como capacidades e comportamentos individuais, ambiente familiar e social, redes sociais influenciam a mobilidade social. Mas a acção do Estado, particularmente através do sistema educacional e políticas fiscais, pode ser crucial ao apoiar as pessoas a terem um maior rendimento e melhor estatuto social em comparação com os seus pais.
Existem argumentos muito válidos para a implementação de políticas públicas que removam obstáculos à mobilidade social. Estes argumentos baseiam-se não só na defesa do princípio da igualdade de oportunidades mas também na necessidade de eficiência económica: sociedades com pouca mobilidade social tendem a desperdiçar recursos e talentos humanos, afectar a produtividade dos seus cidadãos e cidadãs e ultimamente a reduzir o potencial de crescimento económico do país.
Entre as políticas propostas pelo estudo estão:
a) A promoção de uma maior diversidade sócio-económica nas escolas tem um impacto positivo nas crianças de meios mais desfavorecidos;
b) A aposta na educação e cuidados pré-escolares como forma de redução das desigualdades à partida;
c) A implementação de políticas fiscais redistributivas e transferências sociais podem estimular as familías de baixos rendimentos a investir na educação dos seus filhos;
d) A criação de uma política de apoios financeiros, tipo bolsas e créditos, para o ensino superior destinada aos individuos de famílias mais desfavorecidas e de baixos rendimentos.
Este estudo faz parte do relatório anual da OCDE “Going for Growth” a ser lançado no dia 10 de Março de 2010 e pode ser consultado aqui.
Chamamos ainda a atenção para o documento "Equidade, Justiça e Coesão Social".
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