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Como vai ser, Portugal?
A dada altura, porém, sobrevém uma crise económica. A mãe vai para o desemprego, e apenas volta a conseguir empregos precários e mal pagos. As prestações da dívida aumentam. O sufoco é iminente. O que fazer, interrogam-se os Gomes? Certa noite, reúnem-se em torno da mesa e consideram as opções disponíveis. O pai diz que pode falar com o banco para reestruturar a dívida: junta-se o carro à casa, inclui-se o cartão de crédito também, e embora o custo global da dívida aumente sempre se consegue baixar o encargo mensal das prestações. Mas contas feitas, não chega para reequilibrar a situação.
A mãe propõe então que se corte nos gastos. Fazer compras do mês em vez de ir comprando é mais económico. Roupas? Só nos saldos. Férias? Este ano não. Mas isso chega? Não chega. É preciso ir mais fundo. Se calhar o segundo carro é para vender. É certo que já não vale nada, mas a despesa que implica é incomportável. Se calhar o aparelho dentário da miúda fica para o ano. Podes viver mais um anito com os dentes tortos não podes, meu amor? As mesadas vão ser congeladas. Ou mesmo reduzidas. A mãe detesta sacrificar assim os seus filhos, mas tem de o fazer justamente para não ser obrigada a tocar em certas coisas que considera essenciais. A ajuda que dá todos os meses à avó para medicamentos. O seguro de saúde para toda a família. As despesas da escola dos filhos. A comida na mesa.
A situação, porém, mantém-se periclitante. O filho mais velho, até essa noite um pouco despreocupado, faz um ar grave e anuncia: vou ver se me emprego num fast-food das redondezas. Só umas horitas. Não atrapalha a escola, e é da forma que não têm que me dar mesada. O pai não gosta da ideia, preferiria que o filho se concentrasse nos estudos, mas a mãe convence-o: se o rapaz quer ajudar, deixa-o ajudar. Antes isso que meter-se em sarilhos. Inspirada pelo exemplo do irmão, a filha mais nova – que não tem idade para trabalhar – propõe aplicar umas ideias que tem aprendido na escola para poupar energia e preservar o ambiente. É da forma que também se poupa um dinheirinho.
Os Gomes podem agora respirar fundo. Vêm aí tempos difíceis, mas sabem o que fazer para os enfrentar e ultrapassar. Sabem que vão ter de renunciar a muito, mas conseguiram salvaguardar o essencial, sem pôr em causa o futuro. E agora que encararam de frente os problemas que tinham, em conjunto, sentem que aquele mau ambiente que se vivia em casa se dissipou: uma nova confiança, uma nova cumplicidade reina na família Gomes.
Portugal encontra-se numa situação muito semelhante à da família Gomes. Infelizmente, ainda não nos sentámos à mesa para considerar friamente as opções disponíveis. E a cada dia que passa, as opções que restam são mais duras, mais difíceis de aplicar. E o mais provável é que, tal como os Gomes, não possamos escolher as que mais nos agradam. Teremos mesmo de as aplicar todas: reestruturar a dívida externa, reduzir o consumo interno, trabalhar e exportar mais. Mas há duas formas de o fazer: sentando-nos à mesa e planeando em conjunto a forma como vamos sair da crise, como fizeram os Gomes, ou barafustando sem nos entendermos até que os nossos credores nos obriguem a tomar medidas. Caso em que não nos será permitido sequer tentar salvaguardar o essencial. Como é que vai ser, Portugal?
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REGRAS DE PARTICIPAÇÃOCOMENTÁRIOS GERAIS
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A Economia Portuguesa, o PEC e a InternacionalizaçãoNuma economia global é necessário saber procurar a janela de oportunidade da internacionalização. Hoje Portugal, fruto da sua presença histórica no mundo, tem uma oportunidade única de direccionar a sua economia e tecido produtivo para os mercados externos, produzindo riqueza e obtendo ganhos provenientes do comércio internacional.
Este Plano de Estabilidade e Crescimento proposto pelo actual Governo visa apenas a obtenção da consolidação orçamental através do aumento da carga fiscal e não através da diminuição do carácter estrutural da despesa do Estado e do peso do Estado na Economia. Não apresenta medidas direccionadas para o crescimento económico, a ser concretizado nomeadamente através do sector exportador, verdadeiro motor do crescimento. Não contempla apoios a este sector, como a diminuição da carga fiscal sobre as empresas exportadoras, a concessão de linhas de crédito à exportação ou acções de apoio à promoção de produtos e marcas portuguesas no estrangeiro.
Não visa medidas de dinamização da diplomacia económica, utilizando a rede diplomática e consular portuguesa presente em quase todo o mundo como veículo priviligiado da promoção da imagem externa de Portugal e para a internacionalização da economia, através do reforço de acções para o aumento das exportações, a captação de investimento directo estrangeiro e a atracção do turismo.
Este PEC definitivamente não serve os interesses de Portugal, agravando a já de si dificil situação económica devendo ser alvo de contestação em sede parlamentar com vista à sua alteração e para bem de Portugal.
Pedro de Albuquerque e Côrte-Real, 19.03.2010 22h39 -
Familia portuguesaVasco Campilho
Acredito que consiga capturar da realidade portuguesa alguns exemplos como os "Gomes".
No entanto parece-me que a maioria das famílias portuguesas não são bem como os "Gomes". São mais como os "Silvas". Gastam o que não podem, estabelecem inúmeros créditos para comprar coisas que não precisavam e que também não conseguiam pagar, graças aos ditos milagres dos créditos. Nunca pouparam. Fizeram férias em sítios mais caros do que outros eventualmente mais baratos e pretendem sempre manter o estilo de vida até às últimas consequências. Os portugueses por regra não poupam, nunca se preparam para uma situação difícil. Esperam sempre que a vida corra bem e que na situação mais complicada lá esyeja alguém para os ajudar. O Estado principalmente. a sua visão, na minha opinião revela o que de mais romântico existe na personalidade portuguesa. A depressão do amor-próprio. Hoje digo-o sem hipocrisias que não estou mal na vida. que igualmente me aflige a situação dos "Gomes" dos "Silvas" e do "Martins". Ainda que o "Martins" esteja bem neste momento, mas que ainda assim não se deixe de preparar no seu íntimo para uma situaçao pior que sobre ele se possa abater. Temos acima de tudo, deixarmo-nos de lamúrias, tentar levantar a nossa moral, trabalhar e sermos um povo que se prepara e não faz tudo ao sabor do vento...
Miguel Martins, 18.02.2010 18h02 -
Como vai ser?Como vamos sair da crise? a meu ver, não vamos sair e se sair-mos vai ser por imposição de alguém, pois as corporações existentes, os afilhados do sistema e os subsidio-dependentes do costume vão dar mais e mais luta e quem se lixa são os Gomes deste país, que é como quem diz, aqueles que um dia foram classe média, que ainda não perderam o0 emprego, mas que tudo são obrigados a pagar, estando cada vez mais pobres para viver sem ajuda e sendo considerados ricos para receber a mais pequena ajuda....POBRES DE NÓS, OS GOMES DESTE PAÍS.
Paulo, 18.02.2010 14h05







