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Eu também acho que sim
Podíamos pensar, concluir, considerar, examinar, estudar, deslindar, apreciar, ponderar, reflectir, julgar e, até, esmiuçar. Mas raramente o fazemos. Cada vez mais. Raramente. Apesar da grossura do dicionário em Portugal (sobretudo) achamos. Achamos tudo. Achamos todos. O país é um gigantesco fórum da TSF. A carência de dados suficientes para “emitir opinião” não inibe ninguém porque temos o acho.
O comerciante de Torres Novas, o serralheiro de Alcabideche e a doméstica do Porto debitam o seu achismo sobre qualquer coisa. Dos vantagens e desvantagens da energia nuclear à problemática do lateral esquerdo do Benfica. Todos acham com a mesma convicção.
Ouvimos os achamentos e nem damos por isso. Dos ministros aos populares. Dos comentadores aos analistas. Dos deputados aos treinadores.” O que pensa sobre isto?”, “olhe, eu acho que”. Mais do que um vício no linguajar o achismo virou praga e, mais tarde, um estilo de vida. Achamos. E a convicção com que achamos faz do achismo doutrina. É que o achismo dispensa melhor opinião. Dispensa grandes fundamentos. Fica entre o instinto e o palpite e não responsabiliza o autor. E isso é uma coisa boa. Acho eu.
Até porque acho que acho é daquelas expressões que utilizamos exclusivamente em português. Noutras línguas pensam mas sobretudo descobrem. E o achamento justifica parte do sucesso que os nossos conterrâneos têm em relevantes instituições internacionais. Isto por causa da tradução. Faltando melhor opção o que entra como “acho” no microfone sai como “found”, “trouve”, “finde” ou “trovato” no auricular. “Ah!” comentam eles impressionados. Os portugueses são seculares descobridores. Eles (que não falam a língua) ainda não perceberam que só no Brasil é que a epopeia dos descobrimentos é a epopeia dos achamentos.
Mais ou menos a propósito. O Ministro das Finanças, na sua última entrevista à RTP, usou cinco vezes a expressão “acho”. Estava a falar do valor do défice no Orçamento de Estado.
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REGRAS DE PARTICIPAÇÃOCOMENTÁRIOS GERAIS
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O "achismo nacional..."Na minha perspectiva, salvo melhor opinião, o "achismo nacional" reside no facto de a opinião pública ser formada de acordo com os interesses de momento, por parte dos poderes constituídos, aproveitando a inexistência duma massa crítica, apoiada na reflexão sobre os problemas.
Isto acontece porque, duma forma geral, as Escolas, a partir do 1º ciclo, não ensinam a pensar e cada vez mais, o facilitismo criminoso, que alimenta as estatísticas, produz indivíduos incapazes de reflectir e consequentemente de emitir opiniões fundamentadas, presas fáceis da propaganda política, desempenhando papéis sociais com maior ou menor relevância, escondendo as suas incapacidades atrás da palavra fácil e dos seus...achamentos!...
Que fazer, para que o País não se transforme num vasto palco de marionetes que... acham? Investir numa Educação exigente, que ensine a pensar.
Carlos Xavier, 02.02.2010 10h41 -
O que eu achoO que eu acho é o que eu acho à muito tempo é que com esta gente que nos tem governado não vamos a lado nenhum.
O que eu acho é que no dia em que esta gente se for embora nós estaremos mais exaustos e com os problemas mais importantes todos por resolver.
Vejam como agora estamos passados mais de 4 anos de governação Sócrates e digam-me se acham que estão melhores.
Digam-me se acham que os problemas da Segurança Social estão resolvidos ou em vias de o serem.
Digam-me se acham que os tribunais estão a funcionar melhor.
Digam-me se acham que a nossa imagem no exterior é a melhor.
E para não me alongar digam-me se acham que a explicação dada pela Ministra da Educação quanto às possibilidades de promoção na carreira por parte dos professores ser diferente dos outros funcionários públicos tem cabimento.
O que eu acho é que temos de nos organizar internamente e explicar ao povo que há outro país para além do de ficção cujo autor se chama Sócrates.
José Manuel Caeiro de Jesus, 31.01.2010 22h32







